Rachaduras nos pes: o calçado que você usa pode fazer diferença?
- Mônica - Fundadora da MonKonfort

- há 4 dias
- 4 min de leitura
Quando a pele dos calcanhares racha, nem sempre o problema está apenas na pele. A forma como seus pés caminham, apoiam e se relacionam com o calçado também pode fazer parte dessa história.
Rachaduras nos pes parecem pequenas até começarem a incomodar.
Uma pele mais áspera no calcanhar.
Um pouco de ressecamento.
Uma pequena fissura que aparece e desaparece.
Até que, em algum momento, caminhar começa a doer.
As rachaduras nos calcanhares, também chamadas de fissuras, são comuns e podem ter diferentes causas.
Ressecamento da pele, espessamento, idade, condições ambientais, tempo prolongado em pé e algumas doenças podem contribuir para o seu aparecimento.
Mas existe uma relação que muitas vezes passa despercebida: a maneira como o calçado se comporta nos pés.
A pele do calcanhar também sente o caminho

A pele da região plantar foi naturalmente preparada para suportar pressão e repetição de movimentos. Afinal, nossos pés recebem carga a cada passo que damos.
O problema aparece quando a pele se torna excessivamente seca, espessa e menos flexível.
Sob estresse mecânico contínuo, essa pele pode ter mais dificuldade para acompanhar as deformações naturais provocadas pelo apoio e pelo movimento. Com o tempo, podem surgir fissuras.
Por isso, cuidar dos calcanhares não significa apenas pensar em hidratação. Também vale observar como seus pés estão sendo apoiados durante o dia.
Rachaduras nos pes: e onde entra o calçado?
Aqui está uma parte interessante dessa história.
Calçados que deixam o calcanhar muito exposto, especialmente modelos abertos atrás, podem oferecer menos contenção à região. Sandálias sem bom ajuste e calçados que não acompanham adequadamente o formato e as necessidades dos pés também podem modificar a maneira como a carga e o movimento acontecem durante a caminhada.
Isso não significa que toda sandália seja prejudicial ou que um calçado fechado seja automaticamente melhor. Significa que a estrutura do calçado importa.
A forma como o calcanhar é acomodado, o ajuste, a estabilidade, o amortecimento e a maneira como o calçado acompanha o movimento dos pés são características que merecem atenção.
Afinal, o mesmo pé pode responder de maneira diferente dependendo de como passa várias horas do dia apoiado, contido ou exposto.
Por isso, quando pensamos em rachaduras nos pés, vale olhar além da pele e observar também o que acontece com os pés enquanto caminhamos.
Foi assim que eu percebi isso na prática
Essa é uma daquelas situações em que uma experiência pessoal acabou me fazendo olhar para o assunto de outra maneira.
Durante um período da minha vida, percebi que mudar a estrutura dos calçados que eu usava fazia diferença na forma como meus pés reagiam.
Não foi simplesmente trocar um calçado por outro mais macio.
Foi perceber que a construção do calçado interferia na experiência dos meus pés.
E essa percepção ficou ainda mais presente quando comecei a pesquisar sobre conforto e a entender que um calçado não é apenas aquilo que vemos por fora.
Existe uma estrutura trabalhando junto com os nossos pés a cada passo.
Então, qual calçado devo usar?
Não existe um único modelo capaz de resolver todas as situações.
O que existe é a necessidade de observar os próprios pés e entender como eles respondem ao calçado que você escolhe.
Algumas perguntas podem ajudar:
O calcanhar fica bem acomodado ou parece escapar a cada passo?
O calçado acompanha o movimento do pé ou cria pontos de pressão?
Existe estabilidade suficiente para a sua rotina?
A sola oferece proteção e amortecimento compatíveis com o tipo de piso sobre o qual você caminha?
O ajuste é adequado ao formato dos seus pés?
E, principalmente:
Como seus pés se sentem depois de algumas horas usando aquele calçado?
Essa última pergunta talvez seja uma das mais importantes.
Porque um calçado pode parecer confortável no momento em que você o experimenta e revelar outra história depois de algumas horas de uso.
E as rachaduras? É só trocar o calçado?
Não.
Essa seria uma conclusão simplista demais.
As fissuras podem estar relacionadas a diversos fatores e, em alguns casos, podem estar associadas a condições dermatológicas ou sistêmicas que precisam de avaliação profissional.
Além disso, quando as rachaduras são profundas, dolorosas, sangram, apresentam sinais de infecção ou não melhoram com os cuidados habituais, é importante procurar orientação de um profissional de saúde.
O calçado pode fazer parte da prevenção e do conforto diário, mas não substitui a avaliação da causa quando existe um problema persistente.
Talvez o primeiro passo seja observar
Nossos pés passam grande parte da vida caminhando.
Eles nos levam ao trabalho, ao mercado, à escola dos filhos, ao encontro com as amigas, às viagens, às tarefas de casa e aos momentos em que finalmente paramos.
E, muitas vezes, só percebemos o quanto eles trabalham quando alguma coisa começa a incomodar.
Talvez por isso escolher um calçado confortável não devesse significar apenas perguntar se ele é macio.
Também deveríamos perguntar:
Como ele se relaciona com os meus pés?
Porque conforto não está apenas na sensação do primeiro passo.
Está na experiência de continuar caminhando.
Sobre este conteúdo
Meu objetivo é compartilhar uma experiência que despertou uma pergunta e mostrar como a biomecânica pode nos ajudar a compreender algo que muitas vezes passa despercebido: o conforto começa muito antes da sensação de maciez.
Ele também está na forma como o calçado se relaciona com os pés, acompanha seus movimentos e distribui as forças presentes em cada passo.
Porque cuidar dos pés não é apenas olhar para eles quando algo incomoda. É também prestar atenção ao que acontece com eles enquanto caminhamos.
Boa leitura!
Referências
Bhattacharya S., Bhattacharya K., Bhattacharya N., Bhattacharya N., Nagpal A., Bhattacharya A.S.. Walking on Cracks: A Study of Heel Fissures and Their Management. International Journal of Aesthetic Plastic Surgery. 2(1):61-64, 2026. doi:10.1177/30499240261418783
Ramadan E., Saleh Z., Awada S., Yassine A., Jaber W. Heel Fissures: A Comprehensive Review of Pathophysiology, Risk Factors, and Evidence-Based Management Strategies. Austin J. Dermatolog. 12(1): 1116, 2025.
How to heal cracked heels. Mayo Clinic. Feb. 21, 2025. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/dry-skin/expert-answers/cracked-heels-treatment/faq-20455140?
Sobre a autora
Mônica é fundadora da MonKonfort Calçados e compartilha experiências, reflexões e conteúdos sobre conforto feminino, bem-estar e escolha consciente de calçados. 💙👣💬




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